Diário de El brujo


 
 

CONSUMO

 

 

Tenho subemprego,

Ganho uma miséria,

Enfrento ônibus lotado,

Moro de aluguel,

Não vou a shopping ,nem viajo a Miami

Gosto do que é bom:

Tênis de primeira linha,

Roupa de grife.

Uso óculos Oakley,

Uma conquista,

Um feito  glorioso.

Não é sinal de vaidade,

É riqueza comprada com um salário mínimo.

É um prazer depois de humilhação,

É um pisar firme no mundo excludente

E tem mais,

Estudo à noite  em escola pública de

Quinta categoria.

Não compro livro e nem leio coisa alguma,

Não aprendo nada.

Só os moralistas acha um pecado.

Sou superficial

E daí.

A sociedade brasileira me excluiu ,

Não existe, não sou nada sou um favelado;

O meu destino é ser doutor do crime.

 

El brujo 21.09.2009



Categoria: Poemas reflevivos
Escrito por El brujo às 19h30
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Epifania da Vida

 

 

 

 

Não quero saber de morrer.

Quero saber de viver.

Mas ando inexoravelmente em direção da morte.

O tempo não para.

Tudo está sob controle do tempo.

Olho em minha volta e nada vejo.

Estou preso ao tempo e não posso fazê-lo parar.

Não posso acrescentar nenhum tempo mais à minha existência.

Não tenho controle sobre minha vida,

Sonho em poder domá-la.

Mas não posso, ela caminha independentemente de minha vontade.

Hoje adquiri consciência da finitude da vida ,

Tenho consciência de meus limites.

Venci a vaidade humana.

Não sou mais displicente com a vida,

Não deixo para amanhã o que posso fazer hoje.

A vida me fez o que sou:

Tristeza e alegria, ódio e amor, encantado desencantado,

Iludido desiludido.

Incorporei-me a dor mundo,sofro com os que sofrem.

Assim me sinto feliz.

 

 

El brujo 20.09.2009

 



Categoria: Poemas reflevivos
Escrito por El brujo às 10h15
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